sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Passei a semana falando sobre o Brasil, com meus alunos de cinco anos.
E para isso muita literatura, claro!
Até falarmos hoje do tal 7 de setembro, por exemplo, viajamos na caravela de "Pedro, o menino navegador", da Lucia Fidalgo; trocamos "Correspondência", após a leitura terna e política do livro homônimo de Bartolomeu Campos de Queirós; conhecemos um pouco das regiões, suas diferenças climáticas, sociais, e até de linguagem.
Hoje, aterrissamos em Brasília.
Falei do outro Pedro, o I, do Congresso Nacional, da Presidenta; mostrei fotos, relembrei nossa conversa de quarta, que teve citação das manifestações nas ruas, CLARO! E a hora passa voando.

Minutos antes da pausa para o lanche eles me perguntam se poderiam escolher livros livremente para ler: "Só um pouquinho".
Comigo SEMPRE vão poder! 
Então, aproxima-se de mim uma das crianças mais sensíveis da sala e pede:
- Você pode ler esse pra gente?
Era "OS MÚSICOS DE BREMEN"!!!

Ameeeeeeeeeeeeeeei!!

Essa geração vai escrever histórias melhores! 
É certo que talvez a menininha não tenha feito nenhum link (é mais certo que não), mas fiquei tão emocionada, tão feliz, que prefiro acreditar que recebi uma carta do futuro, me dando certeza de que a arte vencerá as ladinagens!
Precisei contar.

Segunda-feira vou levar OS SALTIMBANCOS! 

OBS.: No desenho ela reproduziu a "Descoberta", sobre a qual conversamos na terça, e os Bichinhos-Músicos. 
Estariam interceptando algo? Mudando nosso começo? Ou nos fazendo lembrar que sempre é tempo de recomeçar? 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

As meninas

Pra Kika Freyre

Eram duas meninas.
Uma tinha os cabelos em alfa.
Na outra escorriam rios dourados.

Uma morava ao sul, entre cimento e esperanças.
A outra ao norte, entre mares e andanças.
E as duas acreditavam nas noites de natal!

Uma tecia possibilidades entre as rochas.
A outra era uma rocha de possibilidades.
Mas ambas carregavam água na peneira como seu Manoel.

Nos olhos de uma viviam prado e mel.
Na outra uma noite inteira de estrelas brilhantes.
E tudo nelas era natureza!

O avô de uma fazia pão pra alimentar o corpo.
O avô da outra fabricava letras de comer com os olhos.
Mas as duas adoravam a palavra pão e o pão da palavra.

Uma amava sapinhos bem verdes.
A outra, sapatinhos vermelhos.
E ambas uivavam pra lua!

Uma trazia borboleta azul gravada no corpo.
A outra era ela mesma, uma borboleta a sobrevoar mares e céus.
Mas as duas falavam a língua das fadas.

Um dia, se olharam no espelho das histórias...
As estrelas da noite brilharam no verde prado.
Seus rostos eram irmãos em vida e sonhos!

Então, quando o espanto virou gargalhada
e suas vozes ajustaram os tons,
elas trocaram um abraço, os laços e o endereço.

Agora tem uma borboleta,
forte como uma rocha
sobrevoando ao Sul!


Enquanto ao norte
sapatinhos vermelhos
dançam pra lua.

Mas ambas continuam carregando água na peneira,
e contando, no idioma das fadas,
que todos os dias agora, são noites de Natal! 

Hellenice Ferreira

domingo, 14 de julho de 2013

Santa Teresa

Hoje estava relendo um blog antigo (2010), cujas postagens retirei do ar, e encontrei essa: 


"Há anos que já não sou católica.
Não faço a menos ideia de quem foi Santa Teresa.
Mas não me imagino sem subir Santa.
Um lugar que, de mansinho, foi se gravando dentro de mim.
Que, devagarinho, foi se tornando meu canto...
Ainda que Duque de Caxias seja meu chão diário.

Com todo o respeito à religião que me formou na infância:
hoje sou devota de Santa Teresa: o bairro.
O lugar que fundiu minha poesia com o sol, o som (dos bondes),
o tempo, dúzia de amigos e muitos, muitos passos meus...

Ave, Santa!!!!!!"

Isso tudo veio muito a calhar, porque ontem estive por lá, almoçando no Marcô, que, apesar do Sobrenatural, é meu restaurante preferido!
Muitas vezes fui a Santa à tardinha para almoçar por lá, como fiz ontem.
Bossa nova, choro, jazz, sempre uma música das boas me recebendo,me alimentando junto com meu preferido "frango com ervas finas"!

Santa Teresa.
Um pedaço de mim mora lá.


PS.: Só não sei se não sou mais católica. Apesar de conceber a reencarnação como um fato, tenho estado muito, muito próxima à Igreja Católica como espaço de oração.

sábado, 6 de julho de 2013

Paraty 2012



Nas Igrejas de Paraty, bençãos em forma de cor.
Tô voltando para decorar minha alma!