quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Fotografia
Assentando na calçada da livraria o velho era o Tempo...
Uma fotografia em preto e branco de décadas e décadas de muitas vidas.
Por seu silêncio passavam amores, desafetos, dor, apego... E o futuro ria, talvez.
Ou chorava...
Naquele presente o velho só tinha passado.
(Registrado pela lente do futuro, talvez)
Mas ele inteiro era só passado, assentado na soleira daquela livraria, onde pedras de ouro preto, carvão dos sonhos, faziam do chão moldura para a melancolia.
Queria tê-lo deixado passar, mas ele adentrou minha vida pela porta escancarada da minha busca incansável por histórias. Ou memórias.
Não sei quem ele é, mas em seu rosto vi meu avó, vi Bartô, vi o filho que eu não tive, aguardando toda vida nas portas do céu...
Vi você.
É, você, que lê, desavisadamente, esta história de uma fotografia. É, uma fotografia apenas! Sem saber que, lendo, também grava sobre ela seu olhar de falta, saudade, afago, afeto...
O velho vai estar sempre lá, no sem-tempo da fotografia. E todas as vezes em que for quarta-feira de cinzas, vou lembrar suas rugas, seu silêncio, sua cor melancólica, pintada por estas palavras soltas...
domingo, 19 de fevereiro de 2012
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Ainda bem que não tiram os blogs do ar........
Tenho acessado twitter, FB, emails, preparado origianais, planejado reuniões, respirado, feito uma pregada de coisas, menos escrever aqui......
Amanhã talvez......
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
A lenda do Alecrim
Ontem estive ao lado de muitos queridos no Museu da República. Foi o lançamento do meu reconto "A lenda do Alecrim", ilustrado pela Aline Halluch. Foi tudo tão lindo....... Eu li Bartô para quem estava por lá. E declarei minha gratidão a elee tantos outros amigos que me compõem.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
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" meu amor, tem um jeito manso que é só seu..."
Ontem ouvi Chico Buarque cantando esta canção.
Confesso que até impliquei, porque gosto mesmo é de ouvir Bethania cantando essa música dele. Mas, era ele! E eu conseguia ver a cor de seus olhos: EU ESTAVA LÁ!
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Hoje pela manhã, acordo com a notícia de falecimento de Bartolomeu Campos de Queirós.
De repente, eu que nunca tinha lido a música do Chico de outro jeito senão o de amor amante, me pego pensando que meu Bartô também tinha um jeito manso que era só dele...
Em lugar nenhum de outro livro eu vou me sentir tão acompanhada...
Meu coração nunca mais vai deixar de tomar sol, dento de tanto mar de poesias... Ah, mar!
Bartô era um daqueles homens que não se traduzem em palavras.
Eu o amo com um amor único.
Tenho por ele uma veneração terna; um respeito intenso; um carinho devocional.
No final das contas fico me repetindo, porque o que sinto não tem palavras...
Acho generoso libertá-lo, mas, vergonhosamente, choro sua ida, como quem atravessa um oceano para uma guerra e sabe que não vai mais voltar.
Sei que vou revê-lo.
Ele foi só ali.
Um dia serei eu.
Que bom que existem os livros.
(Pena que não haverão outros)
Que bom ter tocado suas mãos, como tocou meu peito cheio de carências poéticas; de interlocutores destemidos de amar; que bom Bartô...
Que saudade tanta vai ficar.........
Vai, querido, vai ser pássaro no céu, meu Frederico...
domingo, 1 de janeiro de 2012
Nasce 2012
Nasce novo ano e com ele todas as esperanças, sonhos, vontades, amores... Tudo o que não foi saciado.
Que sejam 366 dias generosos conosco.
E que saibamos retribuir.
Bem vindo, novo ciclo!
Recebo sua vinda como recebo o sol diante do mar, de olhos fechados, vento brando no rosto, e profunda alegria!!
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